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ANÁLISE – MasterPulse In-Ear, o novo fone intra-auricular da Cooler Master

Sávio CoelhoSávio Coelho

Introdução

A Cooler Master não é a primeira marca gamer a tentar entrar no mercado de fones para dispositivos móveis, tampouco o MasterPulse In-Ear é a sua primeira tentativa. Já tivemos, no passado, o Pitch Pro e o Resonar.

Além disso, já estamos acostumados, por exemplo, com o Hammerhead da Razer, que é provavelmente o mais conhecido de uma marca desse setor. O problema é que, no geral, embora algumas empresas gamers atinjam a excelência em outras categorias, áudio não costuma ser uma delas, salvo algumas exceções.

Para a Cooler Master, uma das características mais interessantes da linha MasterPulse é a tecnologia Bass FX, que permite que você alterne entre dois “perfis”, sendo um destes graves reforçados, mas veremos isso no decorrer desta análise.

A família MasterPulse, até agora (considerando o MasterPulse Over-Ear e o MasterPulse Pro), se mostrou estar acima da média em comparação com a maioria dos fones da categoria, e também está bem acima dos modelos anteriores da marca. Isso certamente é um ponto positivo, uma vez que significa que estamos caminhando na direção correta. O mercado está cada vez mais exigente e as marcas sabem disso.

E antes de começarmos, gostaria de pedir que análises relacionadas a produtos de áudio não fossem lidas como afirmações absolutas (no que diz respeito a detalhes mais técnicos). Encarem como um compartilhamento de opinião e/ou experiência para ter uma ideia do que esperar do produto. Assim, a informação é obtida de forma mais saudável. Ao contrário do que vemos em teclados e mouses, onde podemos afirmar com certeza que um switch ou sensor é realmente bom, em fones é impossível passarmos ao leitor a noção exata de quanto das frequências graves ou agudas, por exemplo, está presente ali. Temos que diferenciar qualidade de assinatura. É possível dizer se um fone é bom ou ruim, mas não é possível passar com precisão os detalhes que envolvem gosto pessoal. Sendo assim, estude um pouco sobre o assunto e tenha uma noção do que procura em um fone de ouvido. Dessa maneira, você vai poder fazer com que as informações passadas nas análises sejam úteis para que você possa achar o fone ideal.

Agora vamos ver se o MasterPulse In-Ear segue o padrão dos seus irmãos!

Construção e conforto

O design do fone é um tanto quanto agressivo, mas a sua predominância na cor cinza acaba fazendo com que ele não chame muita atenção. É quase como se uma coisa anulasse a outra. As únicas partes que fogem desse padrão são os detalhes em vermelho das ear-tips (ou almofadas), e os detalhes em azul e vermelho que ficam próximos ao mecanismo do sistema Bass-FX, bem como no ponto que indica se está ativado ou não.

Ele é feito em alumínio, com uma “moldura” em borracha e é bem leve.

Os 3 pares de ear-tips que acompanham o fone são iguais, mudando apenas o tamanho (pequeno, médio e grande), e são feitas em borracha. Não diferem muito das que encontramos em fones comuns desse tipo. Quanto ao conforto, não tem muito erro, por se tratar de um fone intra-auricular – embora haja quem deteste esse tipo de fone.

Por se tratar de um fone focado em dispositivos móveis, onde a praticidade é o mais interessante, naturalmente encontramos nele um conector P3 (para saída de áudio e microfone ao mesmo tempo) banhado a ouro, onde encontramos o logo da Cooler Master. Contudo, não acompanha um adaptador que “transforme” em duas entradas P2 separadas, o que seria bem interessante para quem quiser utilizar no computador e precisar do microfone, por exemplo. Pelo preço que ele custa (cerca de R$180,00), é um mimo que deveria estar presente. Mas, considerando o conector P3, é válido informar que o MasterPulse In-Ear é compatível com os controles do Playstation 4 e do Xbox One.

Por fim, seu cabo segue o padrão dos irmãos mais velhos e é no estilo flat. Eu costumo criticar esse tipo de cabo, mas felizmente o do MasterPulse In-Ear não é do tipo “molenga”. O lado negativo disso é que, obviamente, ele acaba por não ter uma flexibilidade muito grande, o que também faz com que seja fácil deixar o fio “marcado”, com curvas que não se desfazem sozinhas.

O positivo é que ele acaba se tornando mais resistente, uma vez que, com uso normal, não vai acontecer do fone ficar dobrado de maneiras mais “bruscas” ou fechadas, que é algo que costuma ser a causa de mau-contato e problemas em geral no fio. Por essa “falta de excesso” de flexibilidade, o fone acaba ficando dobrado de uma maneira mais conveniente do que outros fones que tive e que utilizam o mesmo tipo de cabo.

Qualidade sonora

Algo que vocês vão ver com muita frequência em análises de fones voltados para o público gamer, no que diz respeito à sua assinatura, é o seguinte: que eles têm graves sobressalentes, que ofuscam um pouco as outras frequências, ou até mesmo que eles simplesmente têm médios e agudos recuados. Em algum momento isso vai parecer repetitivo – se é que não já acontece isso -, mas realmente é o que acontece na maioria dos casos. Até mesmo em alguns dos que são considerados bons. Dito isso, vamos lá.

Venho utilizando o MasterPulse In-Ear há cerca de 3 meses e, a começar pela assinatura, a dele também segue o padrão que mencionei acima. Mesmo sem querer, as marcas gamers acabam tendo um público-alvo bem específico, então é de se esperar que eles tragam esse tipo de assinatura, pois é algo que, para quem não tem experiência com pelo menos alguns poucos fones voltados para o público audiófilo, se trata de uma sonoridade divertida, vibrante.

O problema é que, querendo ou não, isso significa abrir mão de alguns aspectos importantes. Como também era esperado, o MasterPulse In-Ear acaba por não ter médios e agudos tão claros como deveria, embora tenham conseguido, ao mesmo tempo, surpreender. A presença maior de graves vai fazer com que a sua experiência com música eletrônica, rap e afins seja bem interessante e prazerosa, mas, em contra-partida, com outros gêneros como rock e seus derivados, a experiência não será tão prazerosa assim. Eu, por exemplo, ouço punk rock ska punk na maior parte do tempo, então estou na “contra-mão” do foco do fone. O palco sonoro do MasterPulse In-Ear também me surpreendeu um bocado e conseguiu ser bem decente.

Isso infelizmente não foi uma boa combinação, por exemplo

“Mas Sávio, e o Bass FX?”

Bom, como mencionei anteriormente, o Bass FX consiste em um sistema que permite alternar entre duas “assinaturas”, onde uma delas possui graves reforçados e médios e agudos ainda mais recuados. Para ativá-lo, basta girar o disco na parte traseira do fone para a esquerda, até a marca que fica mais abaixo. Para desativá-lo, é só voltar para a posição anterior.

As considerações acima, a respeito do áudio, foram feitas com base no Bass FX desligado. Mas calma, não se assuste. O que constatei foi que, com o Bass FX ligado, acabamos tendo uma assinatura bastante similar à que encontramos no Razer Hammerhead Pro. Isso não é uma coisa boa, mas pelo menos no caso do MasterPulse In-Ear, trata-se apenas de uma opção.

O modo “normal” do MasterPulse In-Ear já implica em uma assinatura que puxa mais para os graves, mas de uma maneira que as outras frequências não deixam a desejar. Com o Bass FX ligado, essa característica (dos graves) se torna um exagero. Tem gente que vai gostar do “boom” extra, e é bem legal para assistir alguns gêneros de filme, mas eu particularmente não utilizo.

Conclusão

Indo diretamente ao ponto, o MasterPulse In-Ear, apesar de não ser muito diferente do que já se espera dos fones desse setor, mostrou estar sim seguindo os passos de seus irmãos mais velhos – acima da média em comparação com seus semelhantes. Contudo, estar acima da média em comparação com outros fones da categoria, embora seja algo muito bom, ainda não é o suficiente para fazer com que ele seja uma opção tão viável assim. Da mesma maneira que temos headphones mais baratos que muitos headsets e ainda assim apresentam qualidade superior, também temos opções mais baratas de fones intra-auriculares “não-gamers” que entregam um custo-benefício mais interessante, considerando o valor um pouco salgado de R$180,00.

Se você quiser especificamente um fone diferenciado, esteticamente falando, e na pegada de um Hammerhead Pro da vida, porém com qualidade um pouco superior, o MasterPulse In-Ear pode ser uma opção interessante. Aliado a isso, é um fone com uma boa durabilidade por conta de sua ótima construção e irá proporcionar uma boa experiência se você gosta de música eletrônica e outros gêneros que tirem bastante proveito dos graves.

Ainda há muito o que melhorar nesse mercado como um todo, mas é bom ver que algumas marcas estão procurando evoluir e atender as exigências dos usuários, vide as excelentes opções da HyperX e o próprio progresso da Cooler Master com seus últimos lançamentos, ainda que menos expressivos.

E aí, gostou da análise? Tem algo a acrescentar? Deixe seu feedback nos comentários aí embaixo! 😀

  • https://www.youtube.com/user/samugamer157 Samuel Pereira

    Ótima análise Sávio, aproveitando, qual fone intra-auricular mais recomendado para usar em smartphone/PC ?

    • http://oficialphe.com.br Sávio Coelho

      Opa Samuel, beleza?!

      Bom, essa é uma pergunta bastante complicada porque, In-Ears, por geralmente terem fio curto, naturalmente acabam não sendo uma boa para uso no PC também. Além disso, você tem que fazer a escolha de acordo com o que você procura, com base nas características que você preza, na assinatura pela qual você tem preferência, se a presença do microfone é importante…

      É um tanto mais complicado do que escolher um headphone mesmo. hahah Mas se tu conseguires me dar uma ideia, talvez eu consiga te ajudar! :p

  • Thiago Oda

    Belo texto Sávio. Só avisando que tem um errinho no texto no tópico de conforto, embaixo da segunda foto:
    “Pelo preço que ele custa (cerca de R$180,00), é um *mimo* que deveria estar presente.”