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ANÁLISE – Redragon Kumara K552, o primeiro teclado ABNT2 com keycaps Double-Shot

Sávio CoelhoSávio Coelho

Introdução

Vocês já devem estar cansados de ler sobre os feitos da Redragon no que diz respeito a teclados mecânicos. Ter lançado teclados bons e baratos como o Redragon Kumara K552 e Vara K551, por exemplo, além de teclados com features únicos como vimos na análise do Kala K557, foram algo muito importante para o mercado brasileiro.

Após o sucesso que a versão ANSI (padrão americano) do Kumara K552 fez, a marca trouxe o teclado no padrão brasileiro (ABNT2)! Contudo, a versão brasileira não possuía exatamente a mesma qualidade da internacional, por utilizar keycaps com pintura a laser ao invés de Double-Shot (vamos explicar o que são essas coisas no decorrer da análise). Além disso, uma das coisas em que a marca pecou foi na disponibilidade de switches. Alguns de seus teclados, como o próprio Kumara K552, só vinham com o switch Outemu Blue.

Depois de algumas reclamações, a marca resolveu, agora, lançar uma versão ABNT2 (com “Ç”, enter em formato de “botinha” e tudo mais) com keycaps Double-Shot.  E além do switch Outemu Blue, teremos as variantes Brown, Black e Red. Recebemos uma unidade dessa nova versão do Kumara, vamos ver como ela se sai em nossa análise!

Design

Se você já leu alguma análise da versão ANSI (padrão americano) do Kumara, verá que nada mudou. Digo, além do layout, é claro. Primeiramente, trata-se de um teclado TKL (tenkeyless, ou seja, sem o teclado numérico), ou, ainda, 80% se preferirem. Devo admitir que esta é a minha primeira vez utilizando um teclado TKL (antes, havia utilizado no máximo teclados 90% (CM QuickFire TK e MasterKeys Pro M), que misturam o teclado numérico e as teclas de navegação em uma área só). Pelo espaço que se ganha na mesa, aproximando o teclado do mouse (o que faz com que alternar o posicionamento da mão do mouse seja mais agradável), e também considerando que não utilizo o teclado numérico lateral, está sendo uma experiência bem interessante.

Depois de fazer a análise do Havit HV-KB366L ABNT2, onde encontramos uma fonte diferente do restante do teclado no “Ç”, fiquei me perguntando se isso aconteceria com o Kumara também. E aconteceu. Isso ocorre porque a fonte utilizada no restante do teclado não possui o “Ç” em sua família, então é preciso improvisar. Já a fonte padrão do teclado em si é uma “gamer“, que para mim, é horrível. Eu realmente gostaria de entender o porquê das fabricantes fazerem isso ao invés de simplesmente colocar uma fonte “normal” no teclado todo.

Eu sei que, para você usar uma fonte paga comercialmente (e legalmente) em uma imagem, você precisa pagar por ela. Algumas custam US$50, outras custam US$500, outras custam US$5000… Mas não sei dizer se isso também se aplica ao uso de uma fonte em teclados. A G.Fallen, por exemplo, conseguiu colocar uma fonte sóbria no Falcão-Peregrino, que certamente não é um teclado com alto custo de produção, então… Fica a dúvida no ar.

O Kumara K552, no geral, tem um design um tanto simples e bem discreto. Contudo, seria bem mais bonito se não utilizasse uma fonte “gamer”. Claro que isso é subjetivo, mas creio que seja a visão da maioria.

Construção Externa

O Kumara K552, assim como muitos dos teclados lançados nos últimos dois anos, utiliza o perfil de teclas flutuantes. Mas, ao mesmo tempo, faz parecer que não. Suas bordas são um pouco elevadas, criando “paredes” em volta do teclado, que passam a impressão de que possui um perfil “normal”. E isso funciona, até. Eu, que não sou muito fã do design de teclas flutuantes, achei isso aqui bem mais agradável.

Normalmente eu explicaria o porquê desse design não ser superior ao “normal”, como as pessoas pensam. Mas, como o Kumara não chega a passar essa impressão (pelas bordas mais altas), não é necessário. Mas caso queira entender a diferença entre um teclado com design normal e um com design de teclas flutuantes, veja a imagem abaixo:

Para ficar mais claro, o case inferior (único presente no Kumara) estende um pouco as bordas para formar essas “paredes” em volta do teclado.

O plástico utilizado no Kumara é de boa qualidade e passa sensação de robustez. Teclados como o Alfawise V1 e o próprio Havit HV-KB366L utilizam um plástico mais frágil e são bem leves. Em sua área externa não temos detalhes em recortes nem nada, é algo bem sóbrio. Contudo, o acabamento externo não possui uma superfície áspera nem nada, então é bem fácil deixar marcas. Cuidado com isso.

Em sua base encontramos, na parte inferior, dois pezinhos de borracha. E na superior, assim como vimos na análise do Kala K557 (e critiquei), apenas duas elevações em plástico, que fazem com que a fixação na mesa seja um pouco comprometida.

Contudo, nos pés de ajuste de altura (novamente, assim como o Kala K557) existem pezinhos de borracha. Então, se você vai usar o teclado diretamente na mesa, e não em um mouse pad XL como eu, por exemplo, vai ser quase obrigado a utilizar os pezinhos de ajuste de altura. E também existem esses 3 furinhos na parte inferior, que acredito servirem para retirar o excesso de líquidos que sejam derramados sobre o teclado.

Agora, um dos pontos mais importantes desta análise. As keycaps, por sua vez, têm a impressão do tipo Double-Shot, que consiste em prensar duas peças de plástico juntas. Uma para a “tecla” em si, e outra para formar o caractere, de modo que ele nunca desgaste. Esse é um dos melhores métodos de impressão, e essa é a primeira vez que a vemos em um teclado no padrão Brasileiro.

Isso acontece porque fabricar um teclado no layout ABNT2 já custa muito caro, visto que há uma quantidade mínima para o pedido feito à OEM (fabricante contratada pela marca), já que isso requer mudança no maquinário para a produção. E como as marcas vão acabar tendo que continuar fabricando os teclados no padrão ANSI, por não serem brasileiras, algumas preferem não correr o risco. Para a Redragon é um risco válido devido a aceitação que a marca conseguiu por aqui, mas para outras poderia ser um tiro no pé.

Veja a imagem abaixo para entender melhor como funciona esse método de impressão.

Keycap com método de pintura Double-Shot

Keycap com método de pintura Double-Shot

O desgaste não ocorre porque, basicamente, o caractere fica “infinito” na superfície da keycap. Se estivéssemos falando do método a laser, que consiste em pintar um único molde e depois remover a tinta com um laser, formando o caractere, é possível que haja desgaste com o tempo, devido ao suor do usuário ou até mesmo ao uso excessivo. Eu já utilizei um teclado com esse tipo de impressão continuamente por quase 3 anos e nada do tipo aconteceu, mas ainda assim, Double-Shot é muito superior.

Keycaps desgastadas

Keycaps com pintura a laser desgastadas ficam assim

À direita, temos a keycap do novo Redragon Kumara K552 ABNT2, e à esquerda, uma keycap com pintura a laser:

Curiosamente, ao contrário do que vimos em quase todos os teclados mecânicos, o cabo do Kumara K552 não é revestido em nylon trançado. Entretanto, mostrou ter uma boa resistência. Nesse caso, o revestimento em nylon trançado seria mais uma questão de estética mesmo. Mas de qualquer forma, não vejo motivos para não estar presente.

Por fim, seu conector USB. Ele possui um acabamento um pouco estilizado e um tamanho mais avantajado em comparação com os “normais”, mas não chegou a atrapalhar a conexão de outros dispositivos em portas USB próximas à que ele estava conectado. E o conector USB em si é banhado a ouro. Mas apesar de muita gente gostar disso, acaba não sendo, de fato, um ponto necessariamente positivo.

Construção Interna

Como sempre, começando pelos switches, teremos algo novo por aqui. Eu já estava acostumado, tanto por experiência própria quanto por análises de terceiros, a ver apenas switches Outemu Blue ao abrir um teclado dessa categoria. Isso ocorre porque o Blue é o que traz o barulho “característico” de teclados mecânicos. Aquele que todo mundo conhece. Então, apesar do click incomodar algumas pessoas, pode acabar  sendo uma decepção se não estiver presente. Tem gente que acha que um teclado mecânico não tem cara de teclado mecânico se não houver o click (haha).

O novo Kumara K552 ABNT2, dessa vez, vem com as opções de switches Black, Brown e Red (além do Blue, é claro). A unidade de nossa análise veio com Outemu Brown. Basicamente, é um switch com as mesmas características do Blue, mas sem o click e, também, uma força de atuação necessária um pouco menor. Se quiser entender ainda mais sobre switches mecânicos, veja o nosso guia, que apesar de abordar os switches da alemã Cherry, também é válido para seus clones.

Como já deve ter ficado subentendido no parágrafo anterior, os Outemu Brown são silenciosos. Então se você não quiser tomar bronca dos familiares, ele pode ser uma excelente escolha (juntamente com o Black e Red, é claro, mas nessa escolha entram outros fatores). Veja os vídeos abaixo e compare o Outemu Brown com o Outemu Blue.

Outemu Brown:

Outemu Blue:

Ao abrir o teclado, logo nos deparamos com seu backplate, de alumínio. É um alumínio mais resistente do que o que vimos no Havit HV-KB366L. O backplate é, geralmente, onde os switches ficam montados, como na imagem abaixo.

Sendo, após isso, soldados na PCB (placa lógica) dessa maneira:

E falando da PCB do Kumara K552 ABNT2 em si, aqui está ela.

Logo de cara vemos algo bem curioso. Normalmente encontramos a MCU (controladora do teclado) e os outros componentes separados. Próximos, mas separados.

No Kumara K552 esses componentes estão agrupados em um só lugar:

Aqui temos uma controladora BYK830, que é um modelo bem barato e uma das causas para o baixo custo do teclado. Ela não é necessariamente ruim, mas bem limitada. Por exemplo, ela também é a causa da iluminação extremamente simples presente no teclado (veremos isso mais à frente). Responsável também pela ausência de macros. O Motospeed CK104 e o G.Fallen Falcão-Peregrino utilizam a BYK870, que é mais avançada. E o Havit HV-KB366L utiliza uma BYK816, que é o modelo mais recente das três, e um pouco mais avançada também, sendo capaz de reproduzir efeitos um pouco mais complexos que os demais citados.

Acima temos o conector padrão de 5 pinos do seu cabo USB, que apesar de estar soldado normalmente na PCB, possui esse pingo gigante de cola quente aí. Não entendi muito bem.

As soldas do teclado também são muito bem feitas. Uma coisa bastante curiosa é que, na primeira versão do K552 que foi vendida no Brasil, havia uma quantidade absurda de resíduos de limpeza na PCB. Esses resíduos não são nocivos ao teclado, mas o deixam com uma aparência terrível.

No mais, temos uma ótima construção interna aqui. Melhor que a versão ANSI, inclusive. Não necessariamente superior, mas mais caprichada. Houve economia em alguns pontos, claro (até por se tratar de um teclado de baixo custo) como na MCU, mas é válido lembrar que produzir um teclado ABNT2 com keycaps Double-Shot para esse layout é algo que eleva bastante o custo de produção. Até por isso não vemos sets de keycaps personalizadas para o nosso layout. 

Iluminação

A iluminação do Kumara K552 é somente vermelha. Ela permite apenas o ajuste do brilho e só podemos utilizar o efeito “respiração”, além de ligar e desligar os LEDs. Claro que também existe uma versão RGB desse teclado, mas a versão ABNT2 com keycaps Double-Shot ainda não está por aqui.

É importante notar que a presença de uma iluminação RGB implicaria no aumento do valor do teclado para uma faixa de preço em que encontram-se teclados superiores, com os quais o Kumara não poderia competir diretamente. Isso quase aconteceu com o Redragon Kala, por exemplo, mas por ter switches removíveis como diferencial, acaba ficando em um páreo bem próximo.

Confira o breve vídeo abaixo.

Seus LEDs, entretanto, são do tipo SMD, e ficam diretamente na PCB. Esse tipo de LED é superior e proporciona uma iluminação mais forte e “ampla” do que os LEDs normais de 3,5mm. Contudo, caso haja algum tipo de problema, sua manutenção é mais difícil.

Também vale lembrar que, por ter uma configuração um tanto simples, o Kumara K552 não possui nenhum software. Suas funções, portanto, são acessadas através de atalhos utilizando a tecla FN. As teclas multimídia, como podem ver no vídeo acima, por exemplo, estão localizadas entre o F1 e o F8.

Conclusão

O novo Kumara K552 ABNT2 se mostrou uma ótima opção custo-benefício, com uma construção interna muito boa e features interessantes, já cobrados pela comunidade há um tempo. O custo do teclado é bastante justo, também. Está numa faixa entre R$250,00 e R$280,00… Que pelo que oferece, está bem aceitável.

Isso, claro, para quem busca ou poderia se acostumar com um teclado TKL, ou seja, sem o teclado numérico. Sei que muitas pessoas que jogam algo costumam utilizá-lo para criar binds em jogos, ou até mesmo não conseguem se acostumar com o teclado numérico superior, então… Ele é sim uma ótima opção, mas tomem cuidado nessa escolha.

Contudo, ainda há melhorias que podem ser feitas. Já se foi o tempo em que essas fontes “gamers eram algo que realmente chamavam atenção. Agora são apenas algo meio bizarro. Gostaria de pedir à Redragon que, em modelos posteriores de seus teclados, essa prática seja abandonada. Até mesmo a Cooler Master, que utilizava uma fonte completamente idiota, voltou atrás e agora traz algo legível e sóbrio. Uma atenção maior ao cabo também seria algo interessante.

No mais, fiquei bem feliz com a atenção que o mercado Brasileiro recebeu. Com o Havit HV-KB366L, por exemplo, quando recebemos uma versão melhor do que a versão americana, e achei que isso fosse demorar a acontecer de novo. Mas ainda bem que fui surpreendido. O novo Redragon Kumara K552 ABNT2 não é necessariamente superior à versão americana, mas certamente possui uma construção muito mais caprichada. E, de qualquer forma, a disposição para produzir um teclado ABNT2 com keycaps Double-Shot (que não sai barato) já significa muito para o nosso mercado.

E aí, gostou da análise? Tem algo a acrescentar? Deixe seu feedback nos comentários! 😀

  • Jonathan

    Excelente análise.

  • Kayky

    Sávio atualmente vale a pena pegar o Kumara Rgb abnt2 com swicth brown, mesmo sabendo do risco dos outemus atualmente ? A redragon disse que se tiver double-click no teclado eles trocam imediatamente, até agora sua unidade não apresentou problemas como na do wetto ?