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ANÁLISE – Redragon Talos H601 7.1 USB, uma opção baratinha para os jogadores casuais

Sávio CoelhoSávio Coelho

Introdução

De uns tempos – não muito distantes –  para cá, temos visto algumas marcas gamers buscando obter melhorias no setor de áudio. Essas melhorias, através de projetos próprios ou não, não eram muito comuns para esse mercado. Contudo, vimos acontecendo primeiramente com a Razer, depois novamente com a HyperX, e depois com a Cooler Master, embora nesta última o objetivo não tenha sido atingido com tanta maestria. Agora, temos vários headsets com promessas de boa qualidade e baixo preço sendo lançados. Exemplos destes são o Sharkoon B1 e o próprio Redragon Talos H601, que é o headset que estaremos analisando hoje. Será que ele realmente vai surpreender ou encontraremos mais do mesmo que estamos acostumados a encontrar no mercado de headsets gamers? Vamos descobrir!

Quem é a Redragon?

Redragon é uma marca chinesa que ganhou um espaço gigantesco no Brasil ao trazer teclados baratos e de ótima qualidade. O Kala K557 e o Kumara K552 são ótimos exemplos disto. Por outro lado, a marca passou bastante tempo tentando encaixar um bom mouse no mercado, e só agora está conseguindo, com opções como o Titanoboa II. E sim, dar nome aos produtos realmente não é o forte deles. Contudo, apenas agora vamos descobrir como eles estão se saindo com as opções de headsets gamers. Antes de experimentarmos o Talos H601, não tínhamos ideia alguma do que esperar.

Construção e conforto

Redragon Talos H601 é um headset que custa cerca de R$170,00 e tem uma construção que, sinceramente, me impressionou. A haste do headset é de alumínio, que apesar de fino, se mostrou bem resistente e bastante flexível. Bastante mesmo.

As ear pads do Redragon Talos H601 são de uma qualidade muito boa, e lembram, sem exagero, nada menos do que as pads da Brainwavz. Tanto no toque, quanto no conforto. Contudo, são pequenas demais, e o espaço para a orelha acaba sendo um tanto quanto minúsculo. O resultado disso? Temos um fone over-ear que não vai ser over-ear sempre. E esse também é o motivo de qualquer possível desconforto utilizando esse headset.

headband é uma tira de plástico revestida pelo mesmo material das ear pads, um courino bem macio. Como o fone não possui estágios de altura como outros que estamos acostumados, a headband é elástica e ajusta-se à cabeça do usuário.

Nas laterais da haste temos um detalhe estético e que também serve de passagem para o fio que atravessa a headband, com o dragãozinho da marca.

O microfone do Redragon Talos H601 não é retrátil ou removível. Você apenas tem a opção de colocá-lo pra cima, assim como no HyperX Cloud Stinger. Sobre a qualidade, temos testes em frente.

Agora, a parte que mais me decepcionou nesse headset: o cabo. Eu entendo que, a julgar pela construção do fone até agora, a Redragon possa ter tido um foco na durabilidade, mas… O cabo do Talos H601 é mais grosso do que o cabo da maioria dos teclados mecânicos que tenho aqui. Na imagem abaixo, temos o cabo do Redragon Talos H601 à esquerda. O cabo da direita é o do teclado mecânico Cooler Master MasterKeys Pro M.

Isso automaticamente faz com que seja um cabo pesado, o que é meio incômodo. Cabos de fones devem ter um equilíbrio entre segurança e conveniência… E isso é algo que o cabo do Talos H601 definitivamente não entrega. Até mesmo quando o cabo enrola é mais chato de lidar, infelizmente. Eu demorei um bocado a acostumar. O fato de eu sempre utilizar o fio do fone por cima da mesa (ao invés de pendurado) ajudou bastante. Mas pelo menos parece que não vai estragar ou apresentar problemas de mau-contato tão cedo. Além disso, seu conector é USB.

Por fim, ainda no cabo, temos o responsável pelo controle de volume e mute on/off, além do efeito de vibração. Sim, temos efeito de vibração no Talos H601. Falaremos disso mais à frente.

Qualidade sonora

O Redragon Talos H601 tem duas características um tanto quanto delicadas para falarmos da qualidade sonora. A primeira é o 7.1, que pelo menos por enquanto é impossível de ser desligado, e a segunda é o efeito de vibração. Falaremos dessas características por último.

Infelizmente, no Talos H601 encontramos a assinatura sonora que geralmente já se espera de headsets gamers. Ênfase muito grande nos graves e, por causa disso, sobreposição nas outras frequências. Os agudos e médios são recuados, abafados, sem clareza. A consequência simples e clara disso é que temos um fone com um foco bem específico. O melhor proveito dele será tirado em música eletrônica, hip-hop, filmes, etc. A tarefa de ouvir os passos dos inimigos com clareza nos jogos de FPS é um pouco árdua. Contudo, ele consegue ser bastante divertido em alguns casos específicos como os que citei agora.

7.1

Para falarmos sobre o 7.1, primeiro precisamos entender como esse feature funciona em fones de ouvido. Ele funciona da seguinte maneira: não funciona. Deixem-me explicar o porquê.

O 7.1 é baseado no efeito Haas, onde são adicionados pequenos atrasos no momento de “saída” do som para cada alto-falante presente (sim imaginem um fone em que o 7.1 é real). Isso é feito para que você possa ter essa impressão de espacialidade e mais clareza na hora de distinguir a origem do som. Contudo, é preciso que haja uma distância considerável entre você e os alto-falantes para que o objetivo seja cumprido, e essa distância é mínima quando se trata de fones de ouvido, porque os alto-falantes estão meio que literalmente colados ao seu ouvido. Então, por isso o sistema 7.1 funciona em Home-Theaters, que além da distância ser válida para uma boa experiência, também contamos com um melhor posicionamento dos falantes. Mas em fones de ouvido… Não funciona.

No caso do Redragon Talos H601, acontece aquilo que ocorre com qualquer headset que utilize desse feature. O som, dependendo do que você estiver escutando, pode soar abafado de um modo geral, o que é completamente o oposto da proposta do 7.1. Essa é uma característica que, sinceramente, não deveria existir em fones de ouvido… Mas é bom para o marketing. E infelizmente esse efeito não pode ser desligado no Talos H601. Conversei com responsáveis da Redragon a respeito e me disseram que em breve um software será lançado, mas sem data definida.

Vibração

A característica da vibração não é exatamente novidade, alguns headsets já apresentaram esse efeito e… Por mais que não tenha utilidade (propriamente dita) alguma, eu devo admitir que é bastante divertido e interessante em alguns casos mais específicos.

O objetivo é fazer parecer com que os graves estão fazendo o fone “estremecer”, mas pode ser meio irritante em algumas situações. Por outro lado, em jogos de FPS ou ação que possam ser realmente considerados como casuais, o uso desse feature é bem divertido. O mesmo serve para filmes ou séries de mesmo gênero, ou então que abusem um pouco de uma trilha sonora puxada para o lado do suspense.

Microfone

O microfone do Redragon Talos H601 é bastante sensível. Antes do lançamento desse headset, o modelo Siren da Redragon chamou bastante atenção do público após alguns reviews… Só que uma das reclamações a respeito do Siren era justamente sobre o microfone. Ele era bem curto e ficava distante da boca, fazendo com que a captação não fosse muito boa. Além disso, ele acabava pegando com muita facilidade os sons que saíam no fone em si. No Talos H601, esse erro não foi cometido. O microfone é uma haste e possui um bom comprimento.

Veja abaixo alguns testes com o microfone:

Iluminação

Por fim, a iluminação. O Talos H601 possui uma iluminação em vermelho em ambas as ear cups. Esta, por sua vez, não pode ser desligada e é bem forte. O software prometido também deve mudar essa situação.

Conclusão

O Redragon Talos H601 não pode ser considerado um headset necessariamente ruim (comparando-o com produtos do mesmo segmento, claro). Ele apenas não pode ser indicado para todo mundo. O jogador casual e que não possui um pouco mais de experiência com áudio vai gostar bastante e se dar por satisfeito, mas sua assinatura basshead e características “de vitrine” (7.1 e efeito de vibração) que não estão lá para agregar muita coisa acabam por torná-lo uma opção não muito interessante para quem busca um bom fone para jogos de tiro ou que precisem de espacialidade em geral. É definitivamente uma opção divertida, mas não no sentido de que trará vantagens. Vale ressaltar que a qualidade encontrada nele é algo bastante similar ao que encontramos em headsets mais caros de outras marcas gamers.

A construção robusta (no geral) e ear pads de ótima qualidade – apesar de pequenas – me surpreenderam bastante. É um headset relativamente barato, mas que vai durar. Acho importante destacar esse detalhe pois sei que para alguns essa informação pesa bastante na hora da decisão. No mais, essa robustez tem um preço. O fone pode ser um tanto inconveniente até que você se acostume 100% com ele.

Entre os headsets da sua exata faixa de preço, o Talos H601 não faz feio. Entretanto, com R$30,00 a mais encontramos o HyperX Cloud Stinger, e aí temos uma comparação um tanto desleal. Mas, claro, devemos sempre ficar animados com mais opções no mercado.

Gostou da análise? Tem algo a acrescentar? Deixe sua opinião nos comentários, o feedback é importante! 😀

  • Arthur Gomes

    qual um fone que você recomenda que possui um nítido 7.1 ? quero jogar cs

  • Erick Primo

    A função 7.1 pode ser desativada nas configurações dos Dispositivos de Reprodução do Windows